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20% da População angolana bancarizada tem acesso a Rede Multicaixa, indica EMIS

Passam cinco anos desde a criação da EMIS em Angola, e a sua actividade na Rede Multicaixa já leva cerca de quatro anos. A Empresa Interbancária de Serviços tem como principal objectivo fornecer e gerir os meios e assegurar os procedimentos necessários para garantir a transferência electrónica de fundos de forma eficiente, segura e fiável, capaz de contribuir para a rapidez de realização das transacções financeiras.

Sendo assim compete a referida empresa, desenvolver, instalar e gerir a infra-estrutura e a tecnologia de suporte do Sistema de Pagamentos de Angola (SPA). Instalar e gerir a rede de Terminais de Pagamento Automático que possibilite transferências de fundos no ponto de venda (TPAs).

Instalar e gerir uma rede de Caixas Automáticas (ATMs), que permita aos titulares de uma conta bancária o seu acesso 24 Horas/dia, 365 dias por ano, possibilitando-lhes de igual modo, o acesso a serviços bancários sem necessidade de recurso aos balcões, nomeadamente para consulta de saldo, pedidos de extractos, transferências conta à conta, levantamento de notas, pagamento de serviços, alteração de PIN, compra de recargas telefónicas, etc.

Responsável por desenvolver e/ou instalar a Câmara de compensação do SPA, regulada e supervisionada pelo BNA, a EMIS, também apoia a missão e gestão de cartão de débito angolano, apoia igualmente a missão e aceitação de cartões de circulação internacional, tais como Visa, Mastercard, Amex, entre outros, através da celebração de contratos com as respectivas instituições internacionais.

O arranque do Multicaixa em Angola

O sistema de pagamentos de Angola (SPA) encontrava-se ainda numa fase de certa letargia, onde os únicos meios de pagamentos existentes eram o Cheque, o Bordereau de crédito e a ordem de saque para as operações do OGE. Os pagamentos electrónicos através de cartões bancários eram inexistentes e por isso, estranhos à esmagadora maioria da população. Apesar dos ligeiros percalços registados na fase de arranque, pode dizer-se que, desde então, o país tem vindo a testemunhar uma autêntica viragem no processo de implantação e consolidação do sistema de pagamentos electrónicos através da rede Multicaixa, gerida pela EMIS, e que interliga todos os bancos do sistema financeiro angolano.

O cartão Multicaixa serviu de alavanca para a massificação do pagamento electrónico em Angola, e é hoje uma realidade que se afirma e se consolida cada vez mais. Os indicadores aferidos do crescimento e da penetração deste produto no seio da população revelam taxas de crescimento mensais acima dos 10%, nesta fase de desenvolvimento. Do ponto de vista do desempenho económico e financeiro da EMIS, decorridos apenas três anos de efectiva actividade, conseguiu atingir o break-even do EBIT, o que é francamente positivo, pois pela sua natureza tecnológica, a EMIS é uma empresa instrumental, comummente designada por cost recovery company, cujo fim primário é a eficiência tecnológica e funcional, e não o lucro.

Os avanços do serviço

Em Janeiro de 2005, o volume mensal de transacções registadas na rede Multicaixa, foi de cerca de 160.000, a produtividade foi crescendo todos os meses até que atingiu o pico no mês de Dezembro, em que se registaram cerca de 650.000 transacções, número que correspondeu a 2.933.495.950.00, ou seja, cerca de 36.668.700.00 dólares, movimentados na rede durante aquele mês.

A partir de Janeiro de 2006, o movimento da rede continuou a registar um crescimento da ordem dos 8,5% ao mês, esperando – se que ainda antes do final do ano em referência, se atinja a cifra de 1 Milhão de transacções por mês, prevendo-se um pico de 1,2 Milhão de transacções em Dezembro. A previsão é ter uma média mensal de 1,5 Milhão de transacções por mês em 2007.

Em termos percentuais, a taxa de crescimento mensal registada em 2005, foi de cerca de 10%. No primeiro semestre do corrente ano, essa taxa baixou para 8,5% e a tendência será essa, o que mesmo assim assegurará um crescimento anual superior a 100%.

Neste momento a rede Multicaixa possui um Parque de 211 ATMs disponível nas cidades de Luanda, Cabinda Benguela, Lobito, Catumbela, Lubango, Namibe, Sumbe, Malange, Huambo, Ndalatando, Ongiva, Caxito, Baía Farta, Kuito, Cafunfo e Soyo.

No que concerne aos TPAs, a rede possui 292 terminais matriculados, estando activos somente 193 em Luanda. Por causa do défice de condições tecnológicas do país em termos de comunicações, não foi possível ainda estender o serviço dos TPAs às 10 Províncias onde já funciona o serviço Multicaixa através dos ATMs, ou mesmo estende-lo as províncias do Interior. Mas, acompanhando as melhorias graduais, que o sector tem vindo a implementar, a rede cobrirá prontamente o país inteiro. Mesmo em Luanda, o serviço dos TPAs, não teve ainda grande expansão pelas mesmas razões.

As tecnologias alternativas

Independentemente das diligências que estão a ser empreendidas pelas Operadoras de Comunicações do país, para ultrapassar as dificuldades nesta componente, a própria EMIS está a implementar um processo de migração para uma nova família de TPAs com recursos a Tecnologia de telefonia móvel GSM, e proximamente com a utilização da MOVINET e do GPRS.

As comunicações são o factor crítico para a massificação do serviço de pagamento electrónico (via TPAs), em Angola e, a curto prazo, isso só será possível com recurso às redes móveis de telefonia. Esta acção permitirá, a breve trecho, uma rápida expansão e um crescimento exponencial deste serviço, com instalação e activação de uma maior quantidade de TPAs em grande parte nos estabelecimentos comerciais de venda de produtos de serviços, nos Hotéis, restaurantes e similares, em todo país.

A expansão do cartão

Até ao final do primeiro semestre do ano em curso, a rede Multicaixa apresentava um total de 345.000 cartões emitidos efectivos. A quantidade de cartões activos em seis meses é da ordem dos 144.800. Note-se que a taxa de bancarização é actualmente de cerca de 6,5%, isto é, apenas esta percentagem da população angolana tem conta bancária. O projecto de bancarização dos salários da Função Pública, com aproveitamento dos recursos da rede Multicaixa, vai potenciar, naturalmente, o crescimento no número de titulares de cartões bancários da rede e fará aumentar a taxa de bancarização geral.

“A nossa estimativa é a de que em 2010 a taxa de bancarização seja da ordem dos 15%. A taxa de penetração do cartão Multicaixa junto da população bancarizada com acesso à rede é actualmente de 20%. O objectivo da EMIS é o de atingir os 75% em 2010”, assegurou o Presidente do Conselho de Administração da EMIS.

Pedro Puna sublinha que, “uma das razões da criação da EMIS é precisamente de auxiliar os bancos comerciais na bancarização da população. O surgimento de mais bancos vem corresponder exactamente a pequena percentagem da população que possui conta bancária”. “Como se sabe, os bancos, para além de serem os únicos donos da EMIS, são também seus fornecedores e únicos clientes. Por isso mesmo, os bancos, fundadores e emergentes, são os primeiros a terem consciência da necessidade permanente de reestruturação, modernização e investimento da empresa. O plano de negócios da EMIS é revisto e reajustado todos os anos em Assembleia-geral de Accionistas”.

Os desafios da EMIS

Para o ano de 2006, os principais objectivos são melhorar e consolidar o nível de eficiência e de funcionamento já alcançado, continuar com o plano de expansão da rede para o interior do país e agilizar os passos para a execução do cronograma de implementação do projecto de filiação do bancos e da EMIS à rede VISA e a consequente adequação tecnológica da rede Multicaixa a essa nova realidade.

É também prioritário implementar o projecto de construção da nova sede administrativa da EMIS e CPD da Rede Multicaixa e, ainda, proceder o recrutamento, selecção e formação do pessoal capaz de assegurar o funcionamento do serviço da nova área dos cartões de crédito de circulação internacional (Visa, Mastercard, Amex, etc.).

A Internacionalização da Rede

O responsável da Empresa avançou que – “Os primeiros passos para a materialização deste projecto foram dados no segundo semestre de 2004”. “Hoje, e depois de intenso trabalho, os contactos com a Visa, encontram-se em fase bastante avançada e, seguindo o actual ritmos de trabalho e se não se registarem obstáculos maiores no percurso, tudo indica que em finais de Dezembro próximo teremos o sistema pronto”.

Se assim for, no início do primeiro trimestre de 2007, os Bancos que compõem o pool da frente estarão a emitir cartões Visa e a rede da EMIS estará igualmente em condições tecnológicas para aceitação desses cartões, quer os emitidos em Angola, como no estrangeiro. A etapa seguinte será a filiação às demais marcas, através de estabelecimentos de acordos. Mas tudo será mais fácil e rápido na medida em que os desenvolvimentos feitos para a ligação à rede Visa servirão (através de Switch), para efectivar a conexão com o Mastercard, o American Express, entre outros.

“A fiabilidade, a segurança e a rapidez das transacções beneficiam todos os intervenientes. A economia de tempo e de custos são igualmente portadoras de múltiplos benefícios para o cidadão, para o comerciante, para o sistema e, consequentemente também para o Estado. Angola partiu demasiado tarde para a implementação do projecto de Modernização do seu Sistema Nacional de Pagamentos. Porém, as etapas já percorridas e os avanços ora em presença dá-nos a tranquilidade necessária, sendo certo que o maior desafio é ainda a bancarização da população angolana para que possa aceder a essas novas tecnologias portadoras de facilidades e vantagens inquestionáveis” concluiu Pedro Puna PCA da EMIS.


Oct 23
Fonte: Angola Acontece

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